domingo, 15 de janeiro de 2012

Pequena saga da trilha (parte2)


Buscavam recuperar o fôlego depois de tanto correr, mas havia também boas risadas e olhares triunfantes sobre o abismo que há pouco causava temor.

AGENTE: Hahaha eu não acredito que fizemos isso! Nós conseguimos!
BARBICHA: Vcs são loucos, corremos grande perigo. Sorte q a ponte não é tão fraca assim e aguentou nós três, deviam agradecer à pessoa q fez essa ponte.
APRENDIZ: O que fez a gente chegar aki não foi a ponte, foi a coragem.

Seguiram em frente e logo a trilha conduziu a uma floresta. A vegetação rompia os raios solares, de modo q o caminho era pouco iluminado. Chegaram a um ponto onde, à frente, a floresta era mais densa e havia diversas entradas de acesso à esse trecho aparentemente menos explorado. Não era uma floresta assombrada, mas não saber o que havia ali dentro causava horror.

AGENTE: E agora, como saberemos por qual entrada devemos ir?
BARBICHA: O seguro morreu de velho, é melhor ñ entrarmos em nenhuma, nós não sabemos o q vamos encontrar lá dentro. É melhor voltarmos pela velha ponte, sabemos q ela aguenta o nosso peso.
APRENDIZ: Eu acho que chega um ponto em que se ñ nos abrirmos à novidades, estaremos impedindo nosso aprendizado. Deve haver algo novo e bom para nós nessa escuridão.
BARBICHA: Pode haver algo mau tbm! O incerto sempre traz receio pq todo mundo sabe que cairemos ao lidar com o q é novo, pois é desconhecido! Não há nada de errado em desistir, vamos voltar!
APRENDIZ: Realmente não há nada de errado, e de fato cairemos. Mas há a opção de evoluir, q é o mais digno e correto. E se cairmos, podemos nos levantar.
AGENTE: E se não conseguirmos nos levantar? Ouço o salivar de uma serpente, uivos de lobos famintos, bater de asas de morcegos, tudo isso vindo desse matagal denso a nossa frente.
APRENDIZ: Veja quantas entradas há. Veja a infinidade de possibilidades. Se reparar bem, tbm irá ouvir o som de pássaros cantantes, uma calma cachoeira  e o gorjear de garças, tudo vindo desse matagal desconhecido.
BARBICHA: Ok sabe-tudo, então me diga como vc vai saber por qual entrada deve prosseguir.

Com um sorriso debochado, Aprendiz abre sua mochila e puxa um papel de dentro dela.

APRENDIZ: Aqui está o mapa com o caminho que o Iluminante nos sugere... Aponta para aquela entrada ali na direita.
BARBICHA: Ah sim, como se fosse simples desse jeito. Como vc vai saber se o Iluminante não se enganou e mostrou o caminho errado?
AGENTE: Acreditando que ele nunca erra.

Agente toma a frente e é o primeiro a entrar na parte mais densa. Era uma escuridão quase que total. Também era difícil se mexer e avançar, pois havia muito mato e galhos espinhentos. Agente anda cauteloso quando cada passo é uma incógnita, com freqüência se fere, mas conforme avança ganha mais convicção e passos mais firmes até mesmo que os passos conhecidos. Sentiu medo, quis voltar, pensou que se perderia, mas conseguiu acreditar.  Viu que adiante tinha luz, mas continuou indo devagar, pois ainda haviam galhos espinhosos. Enfim cruzaram o desconhecido.

BARBICHA: Vc ouviu?! Eles estavam lá! Salivar, uivos, bater de asas! Vamos sair daki, eles podem vir atrás de nós!
AGENTE:
Cansei de temer
Vai ser assim daki pra frente:
Dos lobos, vi os dentes
Também vi a língua da serpente
Medo vai virar poesia
Assim, de repente.

Um comentário:

  1. A falta de coragem obviamente denuncia o medo e quando a vertente do temor vira poesia nossa experiência de abertura ao que é novo caracteriza nossa existência. Como um bandeirante que abre caminhos para quem tenta trilhar, o desejo de ir ao encontro do que realmente se quer é fascinante e proporciona as descobertas que nos fazem amadurecer e conhecer verdadeiramente que o Iluminante não erra ao permitir nossa construção de conquistas.

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